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Tera, 03 de agosto de 2021
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Artigo

Arteterapia como caminho de cura!

O termo Arteterapia foi utilizado pela primeira vez por Carl Gustav Jung, médico psiquiatra e psicoterapeuta, que começou retratando artisticamente seus próprios sonhos em desenhos mandálicos. Jung desenvolveu o conceito de inconsciente pessoal, onde estão os nossos complexos e inconsciente coletivo onde estão contidos os arquétipos, Forma Universal de pensamento (ideia), contem componente de emoção.

Nise da Silveira,  uma renomada médica psiquiatra brasileira, aluna de Carl Jung se rebelou contra a psiquiatria que aplicava violentos choques para “ajustar” pessoas e propôs um tratamento humanizado, utilizando a arte para reabilitar os pacientes.

Segundo Jung, nossos conteúdos traumáticos são armazenados em nosso inconsciente desde a infância ou até mesmo durante a gestação. E o que fazer com esses conteúdos que provavelmente são as causas de nossos complexos?

Emergir conteúdos inconsciente para a consciência nem sempre é possível apenas através das palavras, pois as palavras nos surgem a partir de um pensamento lógico e da formulação de valores e conceitos normalmente adquiridos desde a infância, conceitos e valores como certo e errado, bom e ruim inseridos pelo meio em que vivemos, nossos pais, nossa família e os demais que adotamos como modelos ao longo de nossa trajetória de vida.

As palavras conseguem expressar sentimentos e motivar comportamentos a partir desses valores, mas nem sempre elas alcançam o que está contido em nosso mundo interno, então, elas emprestam o seu sentido à outras formas de expressão como formas, cores, música, dança e outras expressões afins. A arte consegue chegar onde as palavras não alcançam, aquilo que está bem lá no fundo de nossa alma.

Em um processo arteterapêutico somos estimulados a nos conectarmos com suas histórias pessoais e expressarmos nossas dores, nossos traumas e medos através do belo, não tão somente para o belo estético e artístico, mas também para belo que existe dentro de nós. A utilização de linguagens plásticas nos possibilita a reconhecermos nossa criatividade e capacidade de materializar o que estava guardado em nosso inconsciente, transpondo-o para uma imagem concreta, abrindo o nosso olhar não só para a dor, mas o que mais eu posso fazer com ela, como essa dor ou esse trauma pode contribuir para o meu aprendizado e a minha evolução.

Um olhar que nos possibilite nos percebermos como um todo, de forma singular e subjetiva, no resgate nossa autoestima, de nosso potencial saudável e criativo, e a partir da criatividade, da experiência artística, do fazer expressivo, viver a expressão mais espontânea de um fazer concreto. Criar formas visíveis a partir de um espaço imaginário, pode aproximar histórias pessoais e reais, sentidas e vividas intensamente, promovendo uma viagem ao mundo interior, no qual o limite é o aprendizado sobre si mesmo.

Ao realizarmos um relaxamento por meio da imaginação ativa e trabalhos arteterapêuticos, é possível estabelecer uma relação entre a arte e a possibilidade de produzir mudanças, dentro e fora de cada um, experenciando modalidades expressivas e novas possibilidades produtivas e criativas. Aprimorar nosso olhar, o refletir e o perceber, abrindo espaço para a construção de uma nova hierarquização de valores, um agir mais consciente e alinhado com a dimensão do ser humano.

A Arteterapia nos auxilia no despertar de uma nova consciência, a consciência sobre si mesmo. Acreditar em si, reconhecer e honrar nossa própria história, nos desidentificando dos aspectos negativos são ingredientes importantes para o início de uma transformação; que ocorrerá a partir de um EU fortalecido com sentimentos estruturados.

REFERÊNCIAS

BERNARDO, P. P. A prática da Arteterapia: correlação entre temas e recursos – temas centrais em Arteterapia. São Paulo: vol. I, ed. do autor, 2008.
MACIEL, C.; CARNEIRO, C. Diálogos criativos entre a Arteterapia e a Psicologia Junguiana. Rio de Janeiro. Wak editora, 2012.
SALDANHA, V. A psicoterapia transpessoal. Ijuí/RS: UNIJUÍ, 2008.

    Sobre o(a) autor(a)

    Tania Lima

    Tania Lima

    Arteterapeuta Junguiana, pós graduada em Psicologia Transpessoal, Terapeuta de Regressão, Holos Coaching, Mestre Reikiana, especialista em PNL e Hipnose Ericksoniana.

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